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30 anos da urna eletrônica: do litoral ao interior, equipamento percorre rios e estradas para chegar a áreas remotas

Desde 1996, o equipamento transformou o processo eleitoral brasileiro e também passou a chegar a comunidades onde o acesso exige rotas e meios de transporte específicos

Banner com logo da série "30 anos da urna eletrônica" e imagem do teclado da urna eletrônica

A urna eletrônica nasceu de uma ideia registrada no artigo 57 do Código Eleitoral de 1932, que já previa o uso de “máquinas de votar”, e tornou-se realidade em 1996 com a realização da primeira eleição informatizada no Brasil. Trinta anos depois, o equipamento passou a fazer parte da rotina dos brasileiros e está cada vez mais presente em áreas remotas do país. Em São Paulo, durante as Eleições 2026, enquanto a maioria dos 34,1 milhões de votantes registrados no estado poderão ir até as urnas por ruas e avenidas, há comunidades onde é a própria Justiça Eleitoral paulista que enfrenta trilhas, estradas de terra, rios e o mar para levar a votação até os eleitores.

Para realizar esse trabalho, cada rota é planejada de acordo com as características do território e as condições de acesso. Em Ilhabela, no litoral norte do estado, por exemplo, as comunidades caiçaras de Bonete e Castelhanos mostram como a geografia pode transformar uma operação eleitoral.


Urna eletrônica foi levada de helicóptero para seção eleitoral de Bonete em 2024

Durante anos, os moradores precisaram deixar suas localidades para votar e o deslocamento dependia das condições do mar e do tempo, que podiam dificultar ou até mesmo impedir a viagem e o exercício de cidadania. Porém, desde 2022 as duas comunidades contam com seções eleitorais próprias, instaladas pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

A mudança no local de votação, no entanto, não eliminou os desafios para fazer a urna chegar até lá. Em 2024, depois de tentativas de transporte por barco, os equipamentos destinados ao Bonete seguiram de helicóptero. Já para Castelhanos, a viagem começou em uma balsa e continuou em um veículo 4x4 da Polícia Militar Ambiental.

De uma ponta a outra do estado

Mais ao sul, em Cananéia, a água também faz parte da rota. Na comunidade de Ariri, as urnas chegam de lancha, acondicionadas em caixas para protegê-las. O transporte também conta com escolta da Polícia Militar Ambiental e atravessa uma extensa área de Mata Atlântica. 


Em Cananeia, urnas e materiais da eleição são protegidos por plásticos levados em lancha para seções da comunidade de Ariri

No litoral, se o mar determina parte do percurso, em outras regiões do estado são as estradas, travessias e o relevo que definem os caminhos da urna. No Vale do Ribeira, o equipamento enfrenta regiões de terra para chegar a comunidades de difícil acesso. No quilombo de Pedro Cubas, na cidade de Eldorado, se o caminho da urna ainda é longo, a realidade dos moradores mudou justamente com a chegada da seção eleitoral. Desde 2022, a comunidade conta com um local de votação próprio. 

Antes disso, os eleitores precisavam percorrer cerca de 10 quilômetros até a seção mais próxima. Para Antonio Jorge, morador da região, a criação da seção eleitoral transformou esse deslocamento. Aos 79 anos, ele passou a caminhar somente 200 metros para votar. “A urna ter chegado aqui foi um sucesso para a nossa comunidade”, contou ao TRE-SP nas eleições de 2024.


 Veículo 4 x 4 é usado no transporte de urnas em regiões de difícil acesso do estado

Mapear para chegar

Antes de definir os caminhos que a urna vai percorrer, é preciso conhecer o território. É por isso que o TRE-SP utiliza dados georreferenciados no planejamento das ações. O mapeamento permite localizar as comunidades, analisar as rotas e avaliar as condições de acesso, informações que ajudam a definir a melhor estratégia para levar a urna a cada região.

Uma das frentes desse trabalho é realizada por meio do Programa de Inclusão Político-Eleitoral, criado em 2022 para aproximar a Justiça Eleitoral de populações que vivem em locais de difícil acesso, como aldeias indígenas, quilombos e comunidades tradicionais. A iniciativa considera as particularidades de cada território para levar serviços, informações e ações eleitorais àqueles que enfrentam barreiras geográficas para acessar a estrutura convencional da Justiça Eleitoral. Em junho de 2026, o programa foi transformado em política pública permanente da Justiça Eleitoral paulista.

Desde a criação do projeto, 231 localidades foram visitadas, com mais de 2.700 atendimentos realizados por equipes do TRE-SP.


 Atendimento do Projeto de Inclusão na Aldeia Tenondé-Porã, em Peruíbe, litoral de São Paulo

Segurança em cada etapa 

O trabalho e a dinâmica do TRE-SP não termina quando a urna chega à comunidade. Depois do encerramento da votação, começa outro percurso: os dados registrados precisam deixar o local de votação e chegar à totalização. Em regiões onde não há conexão convencional, o Tribunal utiliza o JE-Connect, sistema que permite transmitir, de forma segura, os arquivos criptografados das mídias de resultado por meio de uma rede privada da Justiça Eleitoral. 

Utilizado desde 2014, o JE-Connect foi desenvolvido em 2008 por técnicos do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) e aprimorado nos anos seguintes em parceria com outros tribunais regionais eleitorais. Assim como os demais componentes do sistema eletrônico de votação, o sistema está sujeito à fiscalização e à auditoria das entidades que acompanham o processo eleitoral, entre elas o Ministério Público e a Polícia Federal.

Em comunidades ainda mais isoladas, como Bonete e Castelhanos, em Ilhabela, onde nem mesmo uma conexão convencional está disponível, o TRE-SP pode utilizar equipamentos BGAN (Broadband Global Area Network). A tecnologia permite que os computadores com o JE-Connect acessem, por meio de uma conexão via satélite, a rede privada virtual (VPN) da Justiça Eleitoral. 

Nesse caso, a transmissão dos dados não depende da internet convencional. O sinal é enviado diretamente por satélite, permitindo que os resultados de locais remotos também sigam seu caminho até a totalização.


Sistema JE Connect foi usado para transmitir votos direto de Ilhabela nas Eleições 2022

Esforço em outras regiões

O esforço da Justiça Eleitoral para que a urna eletrônica chegue até o eleitor é registrado em outras partes do país. O TRE do Amazonas, por exemplo, transportou mais de 1.300 equipamentos para 15 municípios do estado esta semana. O envio antecipado faz parte do planejamento logístico para as Eleições 2026. No Amazonas, cerca de 4.000 seções eleitorais dependem exclusivamente do transporte fluvial. A preparação do pleito exige uma operação diferenciada em razão das grandes distâncias, das condições geográficas e da necessidade de utilização de diferentes meios de transporte para chegar aos municípios e às comunidades mais afastadas.

Já no último dia 24, o TRE do Maranhão, em parceria com o TSE, realizou uma eleição simulada no município de Paulino Neves, município distante 300 km de São Luís, para testar o sistema eletrônico de votação. Na ocasião, urnas foram levadas a locais de difícil acesso, como povoados cercados por dunas nos Pequenos Lençóis (MA). A simulação foi classificada pela Justiça Eleitoral como “um sucesso operacional”, garantindo a validação de softwares, biometria e infraestrutura de rede antes das eleições de outubro.

“Testemunhamos o funcionamento impecável de seções em áreas de difícil acesso, cujo atendimento exige longos e complexos trajetos por estradas de areia. Chegar até lá não é um mero esforço logístico; é o cumprimento do dever de assegurar o pleno exercício da cidadania”, afirmou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, sobre a eleição no Maranhão.

Servidores do TRE-SP em ação do Projeto de Inclusão Político-Eleitoral

Série 30 anos da urna eletrônica

Para marcar os 30 anos da urna eletrônica, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) vem publicando, ao longo dos últimos meses, uma série de textos apresentando diferentes aspectos da história, da evolução e do impacto do equipamento que transformou o processo eleitoral brasileiro. Confira as matérias já publicadas.

imprensa@tre-sp.jus.br

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