Página interna do portal
Seção de conteúdo
Indígenas fazem votação simulada na urna e solicitam transferência temporária no litoral de SP
Comunidade Tekoa Mirim, em Praia Grande, participou de ação do programa de inclusão do TRE-SP e também selecionou coordenador de acessibilidade para as Eleições 2026
Eleitores e eleitoras da aldeia indígena Tekoa Mirim, situada em Praia Grande, no litoral do estado, participaram de uma votação simulada na urna eletrônica e puderam solicitar transferência temporária para votar em uma seção eleitoral próxima da comunidade nas Eleições 2026. A ação ocorreu na última segunda (17) e foi organizada por servidoras e servidores da 406ª Zona Eleitoral, com sede no município, e da secretaria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A iniciativa faz parte do Programa de Inclusão Político-Eleitoral, instituído em 2022 para ampliar a participação de comunidades tradicionais e vulneráveis no processo eleitoral.
Localizada na Terra Indígena de Tekoa Mirim, a população local é formada por pessoas da etnia Guarani-Mbya. Moradores de uma região de difícil acesso (cerca de 7 km do local mais próximo de votação e 8 km do cartório de Praia Grande), os eleitores da comunidade não dispõem de meios de transporte próprio, tornando essencial o apoio da 406ª ZE nesse trabalho de deslocamento, não apenas no dia do pleito, segundo a chefe do cartório eleitoral local, Suzana Séa.
“Nós fazemos esse transporte do eleitor para emissão de título toda vez que chegam novos indígenas. Durante o alistamento, agendamos com o líder comunitário, Edson de Oliveira. Vamos buscá-los na aldeia, levamos ao cartório e os trazemos de volta”, relatou Suzana. Durante a ação, o líder comunitário foi escolhido para atuar como coordenador de acessibilidade no pleito de outubro. “É muito importante para o cartório eleitoral trazer a comunidade para próximo de nós e ter um integrante direto da aldeia para esse contato”, complementou.

Votação simulada em candidatos fictícios no módulo treinamento da urna
Também responsável pela coordenação de acessibilidade na aldeia, Kaynara Nascimento explicou as atribuições da função junto aos povos e comunidades tradicionais. “No dia da eleição, organizamos uma lista de chamada, orientamos sobre onde precisam ir e os acompanhamos até o ônibus, porque é algo fora da rotina deles. Também ajudamos no desembarque na escola e indicamos as seções e filas corretas”, mencionou.
Funcionamento da urna e transferências
Ainda na ação, o servidor da 406ª ZE Daniel Pereira falou sobre os direitos e deveres do voto e explicou o funcionamento da urna, destacando a quantidade de cargos em disputa em outubro. Em seguida, foram feitas a emissão da zerésima e votação simulada em candidatos fictícios no módulo treinamento da urna. Por fim, houve a divulgação dos resultados. Essa foi a primeira vez que a urna eletrônica foi levada à comunidade fora do dia da votação. “Tivemos outras conversas na eleição anterior, mas percebemos a necessidade de falar um pouco mais sobre a votação em si, por conta das dúvidas com a urna e também para estimular a participação”, ressaltou Daniel.
Na ocasião, eleitores e eleitoras ainda receberam informações sobre o transporte no dia do pleito e realizaram transferência temporária, com preenchimento manual de formulários para posterior digitação no cartório, atendendo ao Art. 30 da Resolução TSE nº 23.751/2026 (que, entre outros pontos, admite a transferência temporária de eleitores indígenas, quilombolas e demais integrantes de comunidades tradicionais e assentamentos rurais). O prazo para essa transferência termina nesta quinta (20).

Indígenas conheceram de perto o funcionamento da urna eletrônica
Inclusão de verdade, primeiras experiências
A iniciativa foi acompanhada por servidoras da Secretaria de Planejamento Estratégico e de Eleições (Seplan) do TRE-SP. A coordenadora de Gestão de Eleições (Cogel), Luna Chino, destacou a proatividade da 406ª ZE com o Programa de Inclusão, ao ressaltar que todas as ações foram iniciativas do cartório, sobretudo, a novidade na escolha de um membro da comunidade na função de coordenador de acessibilidade.
“A ideia de nomear um coordenador de acessibilidade de povos tradicionais, tanto do ponto de vista de auxílio no transporte desses eleitores quanto da orientação nos locais de votação, é importante para que eles tenham essa familiaridade para votar normalmente. Porque isso é inclusão de verdade, as pessoas serem bem recebidas e saberem para onde elas têm que ir, qual seção em que elas votam, quantos cargos são, se elas estão preparadas, se elas têm a documentação”, frisou.
A ação ainda foi acompanhada pelas servidoras Aline Dias, assistente do gabinete da Seplan, e Rafaela Vellinho, da Seção de Gestão de Acessibilidade e Inclusão. Para ambas, foi a primeira vez dentro de uma comunidade indígena e uma experiência bastante rica. “Levar essa possibilidade da cidadania para as comunidades tradicionais que às vezes, por muitos anos, podem ter ficado sem votar, e a gente permitir que isso aconteça, é uma experiência incrível”, disse Rafaela.
Aline não apenas acompanhou a visita, como aproveitou para fazer uma pesquisa sobre o atendimento conduzido no local. “No Tribunal, temos dois formulários respondidos pelos eleitores no dia da eleição. O formulário aplicado na aldeia será integrado com esses, de modo que, em visitas assim, eles possam avaliar como foi o atendimento, o que eles consideraram positivo e o que precisa melhorar.”

Eleitores e eleitoras realizaram transferência temporária para votar em outubro






