Mulheres são maioria em mesas de votação; assista ao vídeo da campanha #OrgulhoDeSerMesária
No Mês da Mulher, números reforçam protagonismo feminino nas eleições: elas respondem por 70% dos integrantes das mesas receptoras; campanha do TRE-SP valoriza esses colaboradores

Neste 8 de março, data que simboliza a luta histórica das mulheres por direitos e igualdade, os números da Justiça Eleitoral revelam um dado expressivo: as mesárias são maioria nas mesas receptoras de voto no Brasil. Nas Eleições 2024, elas representaram 70% do total convocado no país, com 1,3 milhão de mulheres à frente das seções eleitorais. Em São Paulo, o protagonismo feminino foi ainda maior: cerca de 300 mil mulheres colaboraram com o pleito no 1º turno, 72% do total no estado. No 2º turno, o índice também ficou acima dos 70%.
Para valorizar histórias de cidadania e reforçar a importância do voluntariado para o fortalecimento da democracia, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) lançou a campanha #OrgulhoDeSerMesário. A iniciativa destacou, por meio de divulgação no Jornal do Ônibus e peças enviadas às zonas eleitorais, experiências positivas de mesárias e mesários da vida real. Agora traz uma série de vídeos que contam histórias de pessoas que escolheram colaborar com a Justiça Eleitoral.
Uma história que representa muitas
Para marcar o Mês da Mulher, o primeiro vídeo da campanha é com a mesária Priscila da Silva Barbosa dos Santos, mãe e pessoa com deficiência. Ela se inscreveu para colaborar com as eleições em 2012 após assistir a uma propaganda sobre a função. “Eu não conhecia até então o trabalho de mesário e a sua importância, mas fiz a inscrição e não imaginava que ia ser chamada”, relembra.
Ela conta que enfrentou questionamentos quando decidiu atuar nas eleições. “Mas você é cadeirante, vai querer mesmo ser mesária?”, ouviu. A resposta sempre foi direta: “Sim, eu vou”. Com o tempo, passou a compreender a dimensão do papel exercido nas seções eleitorais e assumiu também a presidência da mesa receptora, inclusive em uma seção acessível, destinada a eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida.
Incentivo à inscrição de novos voluntários
A trajetória dela reflete uma participação que também cresce nos números. Nas Eleições 2024, 6.311 mesárias e mesários com deficiência atuaram no Brasil, sendo 3.619 mulheres, o equivalente a 57%. No 2º turno, foram 2.093 pessoas com deficiência convocadas, das quais 1.262 mulheres (60%). Os dados evidenciam que, além de maioria entre os mesários em geral, as mulheres também lideram a participação entre aqueles que atuam mesmo diante de barreiras físicas e estruturais.
“É uma representatividade muito grande, quebra aquela visão de que é impossível”, afirma Priscila. Ao lembrar da avó e da bisavó, associa sua atuação a uma conquista coletiva. “Fazer parte desse momento é importante como cidadã, como mulher e como pessoa com deficiência.”
O engajamento de Priscila mobilizou familiares e amigos. Em casa, incentivou o marido, o irmão, a cunhada e outras pessoas a também se voluntariarem na Justiça Eleitoral. “Vai ser um dia dedicado à Constituição”, costuma dizer ao explicar a importância da função. Para quem deseja atuar como mesário nas próximas eleições e ter a oportunidade de participar diretamente da realização do pleito, a inscrição segue aberta e pode ser feita pela internet.
Presença feminina consolidada
A predominância feminina entre os mesários não é recente. Em 2020, as mulheres representaram 66% do total no Brasil; em 2022, 68%. Em São Paulo, os índices foram de 67% em 2020 e 70% em 2022, demonstrando crescimento consistente e participação ativa na organização das eleições.
Esse cenário dialoga diretamente com a trajetória histórica das mulheres na política brasileira. O direito ao voto feminino foi conquistado em 1932, porém a decisão ainda não era abrangente a todas as mulheres. Anteriormente, o alistamento era obrigatório apenas para mulheres que exercessem profissão remunerada, sendo facultativo para as demais, que fossem alfabetizadas. Somente em 1965 o voto feminino foi equiparado ao dos homens e se tornou obrigatório.

Desde então, mudanças na legislação eleitoral ampliaram mecanismos de incentivo à participação feminina e de enfrentamento à violência política de gênero, fortalecendo a presença das mulheres na vida pública. Em 1995, o primeiro instrumento nacional sobre cotas de gênero foi publicado, buscando tornar o processo democrático mais igualitário.
Em 2009, a Lei 12.034 estabeleceu percentuais mínimos e máximos de candidaturas por gênero e diretrizes para uso de recursos do Fundo Partidário. Posteriormente, em 2015, a Lei 13.165 incumbiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de realizar propaganda institucional visando o incentivo à participação de mulheres na política. Avanços significativos ocorreram em 2021 com a Emenda Constitucional 111 e a Lei 14.192, que buscaram estimular a participação feminina e, adicionalmente, combater a violência política de gênero.
Por fim, em 2022, a Emenda Constitucional 117 reforçou medidas, garantindo a aplicação de recursos e a divisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita especificamente para as candidaturas femininas.








