Biblioteca da Justiça Eleitoral paulista recebe o nome ‘Geraldina Marx’

Espaço localizado na sede do TRE-SP, no centro da capital, foi batizado em homenagem à servidora, jornalista e escritora que atuou na Justiça Eleitoral durante seus primórdios

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A biblioteca do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) recebeu o nome “Geraldina Marx”, em homenagem à servidora, jornalista e escritora que trabalhou na Justiça Eleitoral paulista durante seus primórdios e atuou no campo da literatura e do jornalismo. O espaço, localizado na sede da Rua Francisca Miquelina, no centro da capital, foi batizado com o nome da funcionária neste mês em que se comemora o Dia Mundial do Livro, data celebrada nesta quinta (23) e instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover o gosto pelos livros e pela leitura. 

O descerramento da placa que dá nova denominação à biblioteca ocorreu no último dia 9 de abril. Na cerimônia, o presidente do TRE-SP, desembargador Encinas Manfré, enfatizou o compromisso da instituição em salvaguardar a preservação da história da Justiça Eleitoral com o ato. “Ao nomearmos este espaço, reafirmamos o compromisso do Tribunal Regional de São Paulo com a preservação da história e a promoção do conhecimento." Confira as fotos da solenidade.

Servidoras e servidores do Tribunal com parentes de Geraldina Marx

O desembargador lembrou a resiliência de Geraldina em enfrentar os preconceitos de sua época como mulher, evocando esse espírito como norte às servidoras e servidores. “O nome de Geraldina Marx reflete o reconhecimento de uma trajetória que se ajusta e se harmoniza à gênese deste Tribunal. Sentiu a resistência da época ao trabalho intelectual feminino, mas não se curvou como jornalista, escritora e servidora. Foi uma combatente. É uma honra para esta Presidência, honra na medida também da nossa responsabilidade de evocar, lembrar uma pessoa dessa grandeza e anunciá-la presente entre nós, sempre”, afirmou.

Na ocasião, o coordenador da Comissão de Gestão da Memória (CGM) do TRE-SP, juiz Carlos Alexandre Böttcher, destacou o papel inovador da nomeação dando destaque, nesse gesto, aos servidores da instituição e, sobretudo, das mulheres. “Isso mostra o compromisso da Presidência com uma figura fulcral para a Corte, que é o servidor, a servidora. Os servidores se empenham em realizar todo o processo eleitoral e dar o suporte às atividades de eleição, e não tenho dúvidas de que foi este o papel que dona Geraldina Marx exerceu”, assinalou.

Carlos Alexandre Böttcher, juiz e coordenador da Comissão de Gestão da Memória (CGM), a desembargadora Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi e o presidente da Corte, Encinas Manfré

Centro difusor de memórias

O magistrado também destacou o ato como reconhecimento à importância da biblioteca enquanto centro difusor de memórias. “Além de valorizar o servidor, a servidora, estamos dando visibilidade à biblioteca, que, da mesma forma que o Centro de Memória Eleitoral (Cemel) e que o Arquivo, são o pilar do nosso patrimônio cultural. Então, quando escolhemos dar o nome para uma biblioteca, estamos mostrando a importância que esse equipamento cultural tem, não só para a própria Corte, mas para toda a sociedade. É uma biblioteca de referência e, seguramente, uma das mais importantes do país em matéria eleitoral”, complementou.

O diretor-geral do Tribunal, André Luiz Pavim, ressaltou a importância do espaço da biblioteca como um patrimônio vivo e o seu valor estratégico para o TRE-SP como meio de formação, aprimoramento técnico, preservação da memória institucional e valorização da cultura jurídica e humanística, sobretudo ao prestar homenagem ao trabalho diário de todas as servidoras e servidores que compõem a instituição, representados em Geraldina.

“Dar nome a um espaço como este é um gesto de reconhecimento, de gratidão e de memória. É afirmar que as instituições também se constroem a partir de pessoas que, com dedicação, inteligência e sensibilidade, deixam marcas duradouras em nossa história. Ao homenagearmos Geraldina Marx, prestamos tributo a uma trajetória que inspira e a um legado que permanece. Seu nome simboliza valores que se alinham perfeitamente ao espírito de uma biblioteca, compromisso com o saber, apreço pela cultura, respeito à memória e dedicação ao serviço público”, destacou André Luiz Pavim. 

Em nome da família, a nora da homenageada, Helena Ultramar, doou à biblioteca uma foto de Geraldina e discursou sobre o pioneirismo dela em várias áreas. “Ela nos contava tudo do começo do Tribunal Eleitoral, como foi, as restrições, a primeira votação. Ela era uma mulher à frente de tudo. Dona Geraldina recebeu muitos elogios em sua vida. Ela teve vários momentos de prestígio como escritora, mas acho que o mais importante deles, que ela não teve, foi post mortem, ao ficar o nome dela aqui na biblioteca. Ela estará sempre presente aqui”, discursou.

Helena Ultramar, nora de Geraldina

Também participaram da solenidade a desembargadora substituta do Tribunal, Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi; o juiz assessor da Presidência, Renato de Andrade Siqueira; o chefe da Seção de Biblioteca, Douglas Galvão; além de servidoras, servidores e outros parentes da homenageada.

Quem foi Geraldina Marx?

Nascida em 27 de outubro de 1911, em São Paulo, capital, Geraldina Marx foi uma das servidoras pioneiras da Justiça Eleitoral paulista, atuando no biênio de 1932-33, durante os primeiros anos do TRE-SP, quando ainda sediado nas dependências do Palácio da Justiça. Nessa curta, mas histórica experiência, Geraldina participou da junta apuradora para o pleito de 1933 que, dentre outros marcos, foi responsável pela eleição de Carlota Pereira de Queiroz por São Paulo e, então, a primeira deputada federal do país. Foi também durante o período no Tribunal que conheceu e trabalhou ao lado de seu futuro marido, Samuel Júlio Marx.

Após o casamento e o tempo no Tribunal, Geraldina passa por outros órgãos públicos. Muda-se com o marido para o Rio de Janeiro, quando este passa a atuar no Itamaraty. É no então Distrito Federal que Geraldina começa, como ela mesmo se referia, sua militância no jornalismo e nas letras em geral, quando tem a primeira oportunidade de publicar com a ajuda de um conhecido, o poeta e ensaísta paulista Cassiano Ricardo, em 1944. A partir daí, começa a publicar artigos, crônicas e contos em vários periódicos cariocas e paulistanos, como os jornais “Correio da Manhã”,”Jornal do Brasil”, “A Manhã”, “Correio Paulistano” e revistas, a exemplo da célebre “O “Cruzeiro”, “A Cigarra” e “Gazeta Juvenil”.

À esquerda e abaixo: contos de Geraldina Marx, respectivamente, para “O Cruzeiro” (1953) e “Correio Paulistano” (14/6/1953). À direita, foto com Ziraldo, no Auditório Símon Bolívar (12/2007). Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

Além da contribuição no periodismo, Geraldina também escreveu livros. Destes, foram publicados “Meu Marido Voltou”, “Porto do Remanso”, “As Humildes”, “Viagens do Arco da Velha” e “O Crime de Madalena e Outros Contos” (os três últimos, disponíveis para consulta na biblioteca).

Geraldina faleceu em 30 de agosto de 2013, em Cotia, cidade paulista que adotou como sua nas últimas décadas de sua vida, mas deixando um legado de luta contra o preconceito e dedicação aos seus familiares e às servidoras e servidores deste Tribunal.

Dia Mundial do Livro

O 23 de abril foi escolhido como o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais durante a conferência da Unesco, organização da ONU para a educação, a ciência e a cultura, realizada em 1995. O objetivo é prestar homenagem aos livros e aos autores de todo o mundo, incentivando todas as pessoas a ter acesso aos livros e a ler. No Brasil, também é celebrado o Dia Nacional do Livro em 29 de outubro. A data coincide com a fundação da Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1810.

imprensa@tre-sp.jus.br

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