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Identidade de Gênero

Banner com fundo claro e formas geométricas sutis. À direita, destaca-se o título em letras roxa...

Por que precisamos falar sobre isso?

Quando falamos de equidade de gênero, é comum pensarmos apenas em "dar os mesmos direitos a homens e mulheres". Mas a questão é muito mais profunda. Para entendermos a solução, precisamos primeiro olhar para como a nossa sociedade foi construída.

Igualdade x Equidade: Qual a diferença?

A Estrutura Machista: muito além do que se vê

O machismo não está apenas nas agressões físicas ou nos xingamentos. Ele é uma estrutura, o que significa que está enraizado na forma como a sociedade funciona, nas leis, nas piadas e no mercado de trabalho. Ele age, muitas vezes, de forma invisível ou disfarçada, criando disparidades gritantes:

  • No contracheque:
    • Mulheres frequentemente ganham menos do que homens que ocupam exatamente o mesmo cargo ou realizam a mesma função, além de serem a maioria nas profissões menos valorizadas financeiramente.
  • Nas posições de poder:
    • Basta olhar para o topo das grandes empresas ou para a política. As posições de liderança e tomada de decisão ainda são esmagadoramente ocupadas por homens. Isso é chamado de "teto de vidro" — uma barreira invisível que impede as mulheres de subirem na carreira.
  • Nos questionamentos impróprios:
    • Durante uma entrevista de emprego, é comum que mulheres sejam questionadas com quem vão deixar os filhos ou se pretendem engravidar. Homens quase nunca precisam responder a essas perguntas, pois a sociedade assume que o cuidado com a família é uma "obrigação feminina".

Os Preconceitos se Somam: O que é Interseccionalidade?

Para entender as desigualdades de verdade, precisamos olhar para a interseccionalidade. Esse nome longo significa algo muito prático: as opressões e os preconceitos se acumulam. Uma mulher não é prejudicada apenas por ser mulher. Quanto mais "marcadores sociais" ela tiver — como ser negra, ter uma deficiência, ser pobre ou ser trans —, mais barreiras ela enfrentará e mais preterida (deixada para trás) ela será na sociedade e no mercado de trabalho.

Veja como essas camadas se somam na prática:

O Machismo prejudica a todos (inclusive os homens)

É um erro pensar que o machismo afeta apenas as mulheres. Uma sociedade baseada em papéis rígidos de gênero aprisiona e destrói os dois lados:

  • Para as mulheres: Gera sobrecarga mental, acúmulo das tarefas de cuidado (casa e filhos) não remuneradas, síndrome da impostora e a constante ameaça da violência e do assédio.
  • Para os homens: O machismo cobra um preço alto ao exigir que o homem seja sempre o "provedor forte que não chora e não falha". Essa pressão reprime emoções, gera adoecimento mental, afasta os homens da convivência afetuosa com seus filhos e é a causa de altos índices de mortalidade por comportamentos de risco e violência.

Desconstruir o machismo é, portanto, libertador para todas as pessoas.

Muito além do Binarismo: A Comunidade LGBT

Equidade de gênero não se resume apenas à relação entre homens e mulheres cisgêneros (pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer). Ela abraça toda a diversidade humana.

A comunidade LGBTQIAPN+ sofre diariamente com preconceitos, apagamento e violência simplesmente por existir e amar. A luta por equidade exige que pessoas trans, travestis, não-binárias e com diferentes orientações sexuais tenham o mesmo direito ao trabalho digno, ao respeito e à vida segura.

Quer saber mais e fazer parte dessa mudança?

O TRE-SP possui uma página inteira dedicada ao enfrentamento de todas as formas de assédio e discriminação. Convidamos você a conhecer e a se informar acessando a página de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação.

Acesse a página de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação do TRE-SP

Nesta seção, traduzimos a linguagem jurídica para mostrar, na prática, como o Poder Judiciário está agindo para mudar a realidade.

O Programa Transformação foi criado pela Resolução n. 497/2023 do Conselho Nacional de Justiça. O grande objetivo é promover a inclusão social e reduzir desigualdades, garantindo a entrada de mulheres em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.

Como funciona a Reserva de Vagas?

Para que a inclusão aconteça de verdade, o programa estabelece regras claras e obrigatórias para os contratos do Tribunal:

  • A Cota Mínima

É obrigatório reservar, no mínimo, 5% das vagas nos contratos de prestação de serviços contínuos que exigem dedicação exclusiva de mão de obra (como limpeza, segurança, recepção, etc.).

  • Tamanho do Contrato

Essa regra vale para empresas contratadas que tenham a partir de 25 funcionários prestando serviço.

  • Foco na Violência Doméstica

Pelo menos metade (50%) dessas vagas reservadas deve ser destinada a mulheres que são vítimas de violência no contexto doméstico e familiar.

  • Foco Racial

As vagas devem ser destinadas prioritariamente a mulheres pretas e pardas.

  • Garantia Contínua

Esse percentual de mulheres contratadas precisa ser mantido durante todo o período em que o contrato com a empresa estiver valendo.

  • Incentivo às Empresas

Se houver empate em uma licitação, o fato de uma empresa desenvolver ações de equidade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho servirá como critério de desempate a favor dela.

Quem é o público-alvo do programa?

Grupo de Vulnerabilidade

Quem são?

Vítimas de Violência

Mulheres que sofreram violência física, moral, patrimonial, psicológica ou sexual, por causa do seu gênero, dentro de casa ou na família.

Diversidade de Gênero

Mulheres trans e travestis.

Migração

Mulheres migrantes e refugiadas.

Moradia

Mulheres em situação de rua.

Sistema Prisional

Mulheres egressas (que saíram) do sistema prisional.

Povos Tradicionais

Mulheres indígenas, campesinas e quilombolas.

TRE-SP na Prática

Aqui, mostramos como o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo arregaçou as mangas para tirar o Programa Transformação do papel.

Para que essa política afirmativa funcione, o TRE-SP elaborou um Briefing e um Plano de Ação estruturado, que busca não apenas contratar, mas promover uma verdadeira mudança de cultura organizacional.

Nossas ações foram divididas em quatro eixos principais:

  • Eixo Estrutural: Preparamos a casa. Adaptamos a tramitação interna entre as Secretarias, criamos as regras para os editais de licitação e elaboramos as minutas dos acordos de cooperação.
  • Eixo Diagnóstico: Fomos a campo mapear quais órgãos estaduais, municipais e da sociedade civil já atuam com mulheres em vulnerabilidade para unirmos forças.
  • Eixo Capacitação e Acolhimento: Articulamos nossas equipes (como a Seção de Desenvolvimento Humano e a Coordenadoria de Atenção à Saúde) para conscientizar os servidores sobre discriminação e para oferecer orientação e acolhimento psicossocial às mulheres que chegam para trabalhar conosco.
  • Eixo Atuação Prática: A execução em si! Reuniões com parceiros, assinatura de acordos, autorização de processos seletivos e a fiscalização rigorosa dos contratos para garantir que as cotas sejam respeitadas.

Nosso Compromisso com o Mundo (Agenda 2030)

O Plano de Ação do TRE-SP está diretamente conectado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU:

  • ODS 5: Igualdade de Gênero.
  • ODS 8: Trabalho Decente e Crescimento Econômico.
  • ODS 10: Redução das Desigualdades.
  • ODS 16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes

Acreditamos que a informação transforma. Este espaço é dedicado ao aprendizado contínuo, reunindo materiais, leis e contatos importantes sobre o tema.

Entendendo as Leis de Proteção

O Programa Transformação não nasceu do nada. Ele é sustentado por legislações poderosas de proteção aos direitos humanos:

Lei Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006)

É dever do poder público desenvolver políticas para garantir os direitos das mulheres e resguardá-las contra violência, opressão e exploração.

Nova Lei de Licitações (Lei n. 14.133/2021)

Permite a reserva de um percentual de vagas em contratos da administração pública para pessoas vulneráveis, como vítimas de violência doméstica e egressos do sistema prisional.

Lei do Refúgio (Lei n. 9.474/1997)

Lei de Migração (Lei n. 13.445/2017)

Garantem acesso a direitos trabalhistas para refugiados e migrantes, facilitando a integração econômica e a proteção aos direitos humanos.

Nossa Rede de Apoio e Parcerias

O TRE-SP mapeou diversas instituições que realizam trabalhos incríveis e que podem ser parceiras neste processo de acolhimento e indicação de profissionais. Conheça algumas delas da sociedade civil:

Para mulheres trans e travestis

Casa 1

Fundada em 2017, a Casa 1 é um projeto da sociedade civil. Somos uma Republica de Acolhida, um Centro Cultural e uma Clínica Social. Tudo junto, pela comunidade LGBTQIAPN+!

Casa Chama

O espaço oferece banho e troca de roupas, atendimento psicológico, além de encaminhar as pessoas para serviços como casas de acolhimento. O atendimento é feito por uma equipe de reparação de danos composta por quatro pessoas trans. Nos outros dias da semana, a equipe faz avaliação e planejamento das atividades, além de trabalho de campo.

Para vítimas de violência

Me sinto segura

Projeto busca levar o debate sobre Educação Sexual Positiva para jovens, abordando temas que vão desde autoconhecimento até prevenção de violências.

Associação Fala Mulher

Organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua no enfrentamento à violência doméstica e na promoção dos direitos humanos. Nosso trabalho inclui ações pela equidade de gênero, fortalecimento da autonomia feminina, acesso à informação sobre a Lei Maria da Penha e demais direitos garantidos por lei.

Para egressas do sistema prisional

Instituto Recomeçar

O Instituto promove a reintegração social de egressos do sistema prisional, rompendo o ciclo de retorno ao crime por meio de educação, empregabilidade e apoio socioemocional.

Responsa.pro

O Responsa nasceu com o objetivo de inserir, manter e melhorar o processo de contratação de pessoas egressas do sistema prisional.

Para migrantes, refugiadas e população em situação de rua

Refúgio 343

O Programa conecta pessoas e instituições que desejam promover equidade social e oportunidades para todas as pessoas no Brasil e organizações da sociedade civil capazes de promover resultados transformadores.

Sefras (Ação Social Franciscana)

O Sefras - Ação Social Franciscana têm 25 anos de história no acolhimento, cuidado e defesa de quem mais precisa.

ACNUR

O ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, atua em emergências humanitárias oferecendo abrigo, proteção e assistência vital a pessoas forçadas a fugir de guerras, perseguições e desastres.

Nota sobre privacidade

O acesso e o tratamento das informações das mulheres em condição de vulnerabilidade obedecem rigorosamente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A situação de cada trabalhadora é mantida em sigilo pelo Tribunal e pelas empresas contratadas.

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