Sob liderança feminina, Ouvidoria do TRE-SP reforça diálogo com a sociedade em ano eleitoral

Duas magistradas estão à frente do canal da Justiça Eleitoral paulista, que além de receber demandas do eleitorado acolhe denúncias de violência de gênero

A desembargadora Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi, ouvidora do TRE-SP, e a juíza Maria Domitila Pr...
A desembargadora Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi, ouvidora do TRE-SP, e a juíza Maria Domitila Prado Manssur, que atua como ouvidora da Mulher

Com a proximidade das Eleições 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) vem reforçando o diálogo entre a Justiça Eleitoral e a sociedade. Um dos principais canais que possibilita essa comunicação é a Ouvidoria do TRE-SP. Responsável por acolher e encaminhar demandas externas e internas, o órgão desempenha papel-chave no aprimoramento dos serviços judiciários, permitindo ao Tribunal entender as necessidades de cidadãs e cidadãos. Em meio à celebração do Mês da Mulher e ao Dia Nacional do Ouvidor, comemorado na próxima segunda, 16 de março, conheça mais sobre o trabalho da Ouvidoria do TRE-SP e do canal Ouvidoria da Mulher, especializado no acolhimento a vítimas de violência de gênero.

Sob a liderança de duas magistradas, a Ouvidoria do TRE-SP vive um momento histórico em ano de eleições gerais. À frente do órgão está a desembargadora substituta do Tribunal, Claudia Lúcia Fonseca Fanucchi, ocupando a posição de ouvidora titular. Já a juíza substituta Maria Domitila Prado Manssur atua simultaneamente como ouvidora substituta e ouvidora da Mulher. “Hoje vemos cada vez mais mulheres ingressando na magistratura e ocupando espaços institucionais relevantes. Esse movimento tem um significado profundo: permite que nós, magistradas, e também as mulheres que procuram a Justiça se vejam representadas nos espaços de decisão e poder”, diz a juíza Maria Domitila.

Combate à violência de gênero

Um dos braços da Ouvidoria da Mulher é o combate à violência política de gênero, não só no recebimento de demandas, mas também no desenvolvimento de campanhas de conscientização de direitos. “Muitas vezes a própria mulher não reconhece, de imediato, que está em situação de violência”, esclarece a ouvidora substituta, ressaltando o papel da Ouvidoria em fornecer informações qualificadas em relação à cidadania. A juíza ponderou que essa forma específica de violência, que tem como objetivo impedir ou dificultar o exercício dos direitos políticos da mulher, “tem se intensificado com o uso das mídias digitais, que muitas vezes amplificam discursos de ódio, campanhas de desinformação e práticas de intimidação dirigidas a mulheres que participam da vida política”.

A magistrada acrescenta que também existem obstáculos relacionados ao financiamento de campanhas, ao acesso a espaços de visibilidade política e às próprias estruturas partidárias. “Garantir que as mulheres possam participar plenamente da vida política é essencial para a democracia e para a qualidade da representação política.”

Para ela, a violência política de gênero compromete a própria qualidade da democracia. “Os direitos políticos devem ser exercidos em liberdade. A mulher precisa ter assegurado o direito de votar em quem a representa, de participar da vida pública e também de se apresentar para ser votada, sem sofrer intimidações ou constrangimentos em razão de sua condição de mulher.”

Juíza Maria Domitila Prado Manssur, ouvidora da Mulher, durante painel 'Relações violentas que v...
Juíza Maria Domitila Prado Manssur, ouvidora da Mulher, durante painel 'Relações violentas que vitimam meninas e mulheres', em outubro de 2025

Proteja: acolhimento e suporte à mulher

Em 2024, o TRE-SP também aderiu ao protocolo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o enfrentamento à violência doméstica praticada contra juízas e servidoras. O projeto, batizado de “Proteja”, prevê acolhimento, suporte e acompanhamento às mulheres que sofrerem violência doméstica e familiar, oferecendo a elas um ambiente institucional seguro, uma rede de apoio e orientações legais. As denúncias são encaminhadas à Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar, presidida pela ouvidora da Mulher, e podem ser feitas através deste formulário. O acesso exige autenticação via e-Título ou conta Gov.br (nível prata), mas garante o sigilo dos dados, com a opção de realizar a denúncia de forma anônima.

“A proposta é garantir acolhimento qualificado, escuta protegida e encaminhamento adequado das demandas, sempre com respeito à confidencialidade e à dignidade da pessoa atendida. O programa também orienta sobre os caminhos institucionais e legais disponíveis e busca fortalecer uma rede de apoio dentro da própria instituição”, complementa a juíza Maria Domitila Prado Manssur.

No ano passado, o canal especializado recebeu sete denúncias, que relataram violência contra a mulher, violência doméstica, violência política, entre outros temas. A ouvidora substituta também enfatizou que o órgão dispõe de equipe multidisciplinar “preparada para receber essas demandas com responsabilidade e sensibilidade”.

Atribuições e estatísticas da Ouvidoria

Para além do acolhimento destinado às mulheres, a Ouvidoria do TRE-SP esclarece dúvidas gerais do eleitorado, inclusive sobre o título, recebe solicitações de informações, denúncias de assédio, discriminação ou racismo, requerimentos com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), sugestões de melhoria dos serviços eleitorais, elogios, reclamações e denúncias de eventuais irregularidades relacionadas às atividades do Tribunal. O canal é uma forma de aproximar o Judiciário de eleitoras e eleitores, tornando-o mais acessível e transparente, como forma de fortalecer a relação entre ambos.

Somente em 2025, a Central de Atendimento ligada à Ouvidoria recebeu mais de 31 mil ligações, sendo quase 62% delas relacionadas a alistamento eleitoral. A taxa de satisfação pelo atendimento recebido chegou a 95%. A Seção de Atendimento ao Cidadão, encarregada de acolher reclamações, elogios, sugestões e denúncias internas e externas, além de pedidos de informação com base na LAI e na LGPD, atendeu a 404 pedidos relativos ao concurso público da Justiça Eleitoral, certidões eleitorais, transparência e biometria. Aproximadamente 91% das solicitações foram feitas pela internet. Já a Seção de Apoio à Ouvidoria obteve 962 chamados, referentes a tópicos como biometria e Gov.br, eleitores no exterior e suspensão dos direitos políticos. A página Relatórios da Ouvidoria reúne dados e estatísticas dos atendimentos realizados.

De acordo com a juíza Maria Domitila, a Ouvidoria enxerga as eleições como um momento importante para fortalecer a confiança da população nas instituições e no processo democrático, garantindo que todos saibam que existem canais acessíveis para buscar informações e registrar manifestações. “O Judiciário existe para servir à sociedade. Por trás das instituições, existem pessoas comprometidas com a realização da justiça e com a proteção dos direitos. A Ouvidoria é um espaço de escuta e de diálogo. Nosso compromisso é receber cada manifestação com respeito e atenção, mas também ouvir sugestões que possam contribuir para o aprimoramento dos serviços prestados. A participação da sociedade é essencial para que o Judiciário seja cada vez mais acessível, transparente e próximo das pessoas.”

Ouvidoria do TRE-SP

Atendimento ao público

Os serviços do órgão estão disponíveis pelo Formulário da Ouvidoria. Em janeiro, a ferramenta foi atualizada e a Ouvidoria passou a atender através do Sistema de Atendimento ao Cidadão da Justiça Eleitoral (SAC-JE), plataforma nacional desenvolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A inovação permitiu que todas as demandas fossem recebidas pelo mesmo sistema.

Além do formulário, eleitores e eleitoras podem contatar a Ouvidoria do Tribunal por meio do número (11) 3130-2100, ou pelo 148, a Central de Atendimento ao Eleitor, que dispõe da ferramenta URA (Unidade de Resposta Audível) e fornece informações 24 horas, todos os dias, inclusive nos fins de semana e feriados. O órgão também atende pelo e-mail ouvidoria@tre-sp.jus.br e presencialmente, na Rua Francisca Miquelina, 123, 6º andar, sala 609. O atendimento ocorre de segunda a sexta, das 12h às 18h, exceto feriados.

O Dia Nacional do Ouvidor foi instituído pelaLei nº 12.632/2012para reconhecer legalmente o papel do ouvidor e consolidar a Ouvidoria como um espaço de democracia social e participativa.

imprensa@tre-sp.jus.br

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